Pesquisas
Como ler uma pesquisa eleitoral?
Resposta rápida
Para ler uma pesquisa eleitoral, confira primeiro o registro no TSE, depois a data de campo, a amostra, a margem de erro e o nível de confiança. Veja se os números são de votos totais ou válidos e se a pergunta foi espontânea ou estimulada. Diferença menor que a soma das margens indica empate técnico.
Por Linha do Tempo Política. Publicado e atualizado em .
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Ler uma pesquisa eleitoral começa pela ficha técnica: quem fez, quando, com quantas pessoas, com qual margem de erro e com qual número de registro no Tribunal Superior Eleitoral. Os termos que aparecem nas reportagens têm definição técnica, e quase todos podem ser conferidos no sistema público do TSE.
Por que a pesquisa precisa estar registrada no TSE?
Porque a lei exige. O artigo 33 da Lei 9.504/1997 obriga as empresas que fazem pesquisas sobre eleições ou candidatos, para conhecimento público, a registrar cada uma na Justiça Eleitoral até cinco dias antes da divulgação. O registro traz o contratante, o valor pago e a origem do dinheiro, a metodologia, o período de coleta, o plano amostral com sexo, idade, escolaridade e nível econômico, a margem de erro, o questionário completo e o nome do estatístico responsável.
A divulgação de pesquisa sem registro sujeita os responsáveis a multa, e a divulgação de pesquisa fraudulenta é crime, com pena de detenção de seis meses a um ano, além de multa, segundo os parágrafos 3º e 4º do mesmo artigo.
Fonte: Planalto, Lei 9.504/1997, art. 33, consultado em 22/10/2026.
As regras de detalhe estão na Resolução TSE 23.600/2019, que vale desde 1º de janeiro do ano da eleição para pesquisas feitas para conhecimento público. Ela define o que vai no registro, como os dados ficam disponíveis e como partidos e o Ministério Público podem pedir acesso ao sistema interno de controle da pesquisa.
Fonte: TSE, Resolução 23.600/2019, consultado em 22/10/2026.
O que é margem de erro?
Margem de erro é a variação possível entre o número da pesquisa e o número real na população, para mais ou para menos. Ela depende sobretudo do tamanho da amostra: quanto mais entrevistas, menor a margem. Uma amostra nacional de 2.500 pessoas tem margem próxima de 2 pontos percentuais. Uma de 1.000 pessoas fica perto de 3 pontos.
A margem informada vale para o total de entrevistados. Recortes como região, religião ou renda usam só parte da amostra, e por isso têm margens maiores, que nem sempre aparecem na reportagem.
O que é intervalo de confiança?
É a faixa formada pelo resultado mais e menos a margem de erro, associada a um nível de confiança, quase sempre 95%. Se um nome tem 30% com margem de 2 pontos, o intervalo vai de 28% a 32%. O nível de 95% indica que, se a pesquisa fosse repetida 100 vezes com amostras diferentes, em cerca de 95 delas o resultado ficaria dentro dessa faixa. Em cerca de 5, poderia ficar fora, mesmo com a pesquisa bem feita.
Quando há empate técnico?
Há empate técnico quando os intervalos de dois candidatos se sobrepõem, ou seja, quando a diferença entre eles é menor ou igual à soma das margens. Com margem de 2 pontos, um candidato com 45% pode estar entre 43% e 47%, e outro com 42% pode estar entre 40% e 44%. Como as faixas se cruzam, a pesquisa não permite dizer quem está à frente. Diferença de 5 pontos, nesse exemplo, já ficaria fora do empate.
| Candidato | Resultado | Intervalo (margem de 2 pontos) |
|---|---|---|
| Exemplo A | 45% | 43% a 47% |
| Exemplo B | 42% | 40% a 44% |
A tabela usa números fictícios, só para mostrar a conta.
Qual a diferença entre votos totais e votos válidos?
Votos totais incluem todas as respostas: candidatos, brancos, nulos e quem não sabe. Votos válidos excluem brancos, nulos e indecisos e recalculam os percentuais só entre os candidatos. É o mesmo critério que a Justiça Eleitoral usa para apurar a eleição, porque a Constituição, no artigo 77, exige maioria absoluta de votos, sem contar brancos e nulos, para eleger o presidente no primeiro turno.
Por isso os números de votos válidos são sempre maiores que os de votos totais. Na comparação entre pesquisas, é preciso usar o mesmo tipo nas duas.
Fonte: Planalto, Constituição Federal, art. 77, consultado em 22/10/2026.
O que é pergunta estimulada e espontânea?
Na pergunta espontânea, o entrevistador pergunta em quem a pessoa pretende votar sem mostrar nenhum nome. Na estimulada, apresenta uma lista ou um cartão com os candidatos. A espontânea mede quem já tem um nome na cabeça; a estimulada mede a escolha diante das opções. Os números costumam ser diferentes, e a espontânea tem mais indecisos. Os institutos fazem a espontânea primeiro para que a lista não influencie a resposta.
Como consultar uma pesquisa no PesqEle?
O PesqEle é o sistema do TSE onde ficam os registros. A consulta é aberta e gratuita.
- No portal do TSE, procure a área de pesquisas eleitorais e abra a consulta pública do PesqEle.
- Escolha o ano da eleição e a abrangência: Brasil para presidente, ou o estado.
- Digite o número de registro, formado pela sigla (BR ou a do estado), um número e o ano, ou procure pelo nome da empresa.
- Abra o registro e confira contratante, valor, datas, amostra, margem de erro e questionário.
- Compare a data de campo com a data de divulgação: o registro precisa ter sido feito pelo menos cinco dias antes.
Se o número citado não aparece no sistema, a pesquisa não está registrada. Um exemplo de leitura com dados reais está no texto sobre como o Datafolha faz a pesquisa eleitoral.
Pesquisa interna de partido vale como pesquisa registrada?
Não. Partidos e campanhas podem encomendar levantamentos para uso próprio, para decidir agenda ou discurso, e essas sondagens não precisam de registro enquanto ficam internas. A obrigação de registrar vale para pesquisas feitas para conhecimento público. Se um número interno é divulgado sem registro, ele não passou pelo controle do TSE: ninguém de fora consegue conferir amostra, questionário, data de campo ou quem pagou, e a divulgação sujeita os responsáveis às penalidades do artigo 33.
Enquetes e sondagens feitas em redes sociais, sem método amostral, também não são pesquisa eleitoral. A Resolução 23.600/2019 proíbe a realização de enquetes sobre o processo eleitoral a partir do início oficial da campanha.
Que cuidados ajudam a não se confundir?
- Compare rodadas do mesmo instituto, com o mesmo método e o mesmo tipo de voto.
- Veja se a variação entre uma rodada e outra é maior que a margem de erro.
- Leia todos os candidatos do cenário, não só os dois primeiros.
- Confira a data de campo: uma pesquisa de duas semanas atrás mede outro momento.
As datas oficiais de cada etapa estão no post sobre o calendário das eleições de 2026, e as regras da votação final, em como funciona o segundo turno.
Quais fontes foram consultadas?
- Planalto, Lei 9.504/1997, 22/10/2026
- TSE, Resolução 23.600/2019, 22/10/2026
- Planalto, Constituição Federal, 22/10/2026
Perguntas frequentes
Pesquisa sem registro no TSE pode ser divulgada?
Não. A Lei 9.504/1997 exige registro até cinco dias antes da divulgação, e quem divulga pesquisa sem registro fica sujeito a multa.
O que é empate técnico?
É quando a diferença entre dois candidatos é menor ou igual à soma das margens de erro, de modo que os intervalos se sobrepõem e a pesquisa não indica quem está à frente.
Por que os votos válidos são maiores que os totais?
Porque os válidos excluem brancos, nulos e indecisos e recalculam os percentuais só entre os candidatos, como faz a apuração oficial.
Enquete em rede social é pesquisa?
Não. Enquete não tem amostra controlada nem registro, e a Resolução TSE 23.600/2019 proíbe a realização de enquetes sobre o processo eleitoral a partir do início da campanha.